No livro “O Alfabeto dos Afetos”, ao falar sobre a gratidão, a psicóloga Italiana Mariolina C. Migliarese diz o seguinte:
“No mundo dos afetos, existe uma palavra que faz a diferença. Descobri-la, compreendê-la e vivê-la é algo que pode tornar a vida melhor. Estou falando da gratidão, ou seja, daquela emoção que nos permite prestar atenção a todas as coisas boas que encontramos a cada dia. A emoção que nos permite apreciá-las, valorizá-las e compreender que são um dom. Sem julgá-las como algo que nos é garantido.”
Trecho extraído do capítulo “Redescubramos a Gratidão”
Retomando a definição apresentada no livro, a gratidão é “aquela emoção que nos permite prestar atenção a todas as coisas boas que encontramos a cada dia”.
Há aqui um hábito importante a cultivar: aprender a prestar atenção às coisas boas que nos acontecem diariamente.
Por quê?
É interessante notar que muitas pessoas vivem de tal modo que enxergam apenas os aspectos negativos da própria vida. Aos poucos, fazem da reclamação quase que um estilo de vida.
Mas será que em nossa vida só temos motivos para reclamar? Será que não existe nada pelo qual possamos agradecer?
Todos nós passamos por adversidades ao longo da vida. Para alguns, elas serão mais breves e menos intensas. Outros enfrentarão desafios maiores e passarão por períodos difíceis durante um maior período de tempo.
No entanto, mesmo diante das adversidades, será que não temos nada a agradecer?
Bem, se pensarmos calmamente notaremos que temos a vida, o próprio dom da vida, saúde, um teto para morar, comida à mesa, pessoas que amamos, um trabalho.
Isso não significa dizer que nossa casa seja a melhor de todas, que possuímos tudo aquilo que desejamos ou que podemos nos vestir exatamente como gostaríamos. A gratidão não exige que nossa vida seja perfeita.
Mas também não devemos permitir que aquilo que nos falta nos torne incapazes de reconhecer o que de bom já temos.
Precisamos cultivar essa percepção.
Ainda que nos falte os bens materiais que desejamos, podemos olhar para dentro de nossa casa e agradecer pela harmonia com nossos familiares, pela saúde, pelo trabalho, pelas pessoas que caminham conosco.
E cada um, dentro de sua realidade particular, pode observar aquilo que possui de bom e reconhecer seus próprios motivos para agradecer. Algumas dessas coisas nos são dadas gratuitamente, como o próprio dom da vida. Outras são conquistadas por meio de nosso esforço.
O problema da reclamação constante é que ela pode nos tornar ressentidos. Passamos a olhar para aquilo que o outro possui e, percebendo que ele está em uma condição melhor que a nossa, começamos a invejá-lo.
E isso não nos faz bem.
Quando olho para alguém que está em uma condição melhor que a minha, não há nada de errado em desejar crescer, trabalhar e me esforçar para alcançar algo semelhante. Isso pode, inclusive, ser muito positivo.
O problema começa quando olho para o bem que o outro possui e, em vez de me sentir motivado, fico ressentido. Começo a me sentir mal porque ele tem aquilo que eu não tenho. Surge então a inveja.
Por isso, precisamos aprender a olhar também para aquilo que já possuímos.
Sejamos gratos. Cultivemos uma gratidão verdadeira: não aquela que ignora as dificuldades ou finge que tudo está bem, mas aquela que, mesmo reconhecendo o que nos falta e aquilo que ainda precisamos conquistar, é capaz de perceber, valorizar e encontrar contentamento no bem que já está presente em nossa vida.
Próxima reflexão
A Psique é uma Força AgenteComentários
Partilhe a sua leitura
Seja o primeiro a comentar esta reflexão.
Carregando comentários…