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Reflexão

Saúde mental: equilíbrio diante dos desafios da vida

20 de outubro de 2026

A Organização Mundial da Saúde (OMS), define saúde mental como um estado da mente que permite às pessoas lidar com as tensões da vida, reconhecer suas capacidades, aprender e trabalhar bem e contribuir para a comunidade.

Ter a mente sã não se resume simplesmente à ausência de transtornos mentais, mas envolve também a capacidade de responder adequadamente aos desafios do dia a dia.

Pensemos em cinco aspectos fundamentais presentes na definição dada pela OMS:

1- bem-estar mental. Ter condições emocionais e psicológicas para conduzir a própria vida.

2- capacidade de enfrentar as adversidades.

3- reconhecimento das próprias capacidades.

4- capacidade de aprender e trabalhar.

5- participação na comunidade.

Ao olharmos para esses aspectos, percebemos a necessidade de o indivíduo desenvolver habilidades pessoais, de autorreflexão e também habilidades relacionais. O homem, dizia Aristóteles, é um ser social.

Para além desses aspectos, é válido lembrar que, em sua composição, o homem é constituído de corpo, mente e espírito. Logo, ele deve cuidar de modo adequado dessas três dimensões. Podemos simplificar aqui em duas dimensões: a corporal e a interior, que compreende a vida mental e espiritual.

Para cuidar do corpo, o homem deve buscar hábitos saudáveis por meio da prática de atividades físicas, alimentação equilibrada e descanso adequado. Mente sã em corpo são, diz o conhecido ditado latino. Mas a saúde da mente não se conquista apenas cuidando do corpo. É preciso também desenvolver a vida interior.

Este campo da vida interior é muito mais complexo e, para tratá-lo, pensemos numa afirmação do filósofo espanhol José Ortega y Gasset, segundo a qual o homem não tem natureza, mas história. Com isso, o filósofo chama a atenção para o aspecto biográfico da existência humana. É justamente dentro dessa perspectiva que podemos compreender os cinco aspectos relacionados à definição de saúde mental apresentada pela OMS.

Pensemos: o homem tem uma história, e essa história é escrita ao longo de sua vida, encerrando-se quando ele morre.

No arco de sua existência, o homem nasce, cresce, se desenvolve, passa pela infância, juventude, vida adulta, torna-se idoso e, por fim, morre. Este é o curso natural da vida humana, desde que ela não seja interrompida por alguma vicissitude, como um acidente ou doença que leve à morte. Ao longo desse percurso, o homem se desenvolve fisicamente e também interiormente. Faz projetos pessoais e profissionais, relaciona-se com outros indivíduos nos mais diversos ambientes: familiar, profissional, grupo de amigos, associações, congregações religiosas, entre outros.

Ele convive com pessoas que pensam de modo semelhante ao seu, mas também com aquelas que pensam de maneira diferente. Na vida profissional, enfrenta desafios: precisa aprender novas funções, atender demandas e se relacionar com pessoas que pensam e agem de maneira diferente.

Na vida privada, estabelece relações que podem ser sadias, mas também problemáticas, com familiares, cônjuges, filhos e outras pessoas que fazem parte de sua convivência.

Em todos esses campos, ele precisa desenvolver ferramentas que o ajude a lidar com essas demandas. Para isso, é necessário criar uma unidade interior que o permita transitar nesses diferentes quadros de sua história de modo que consiga reconhecer suas habilidades, identificar seus pontos fracos, aquilo que precisa ser trabalhado para que uma vez reconhecidos se possa agir de modo a corrigi-los.

Nenhum de nós queremos perder a paz e correr o risco de adoecer mentalmente. Todos nós passamos ou passaremos por algum evento que irá tirar a nossa alegria e trazer sentimentos que não gostaríamos de ter, no entanto, nossa mente só deixa de estar saudável quando estas inquietações ocupam um tempo excessivo em nossa vida e afetam drasticamente o nosso dia a dia.

O desenvolvimento de ferramentas que nos auxilie a passar por estes dias amargos com sobriedade nos torna maduros, capazes de lidar com os dramas da vida humana e de se fortalecer por meio deles. Quando isso acontece, eles deixam de ser obstáculos e se tornam instrumentos que nos faz crescer.

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