A filosofia, nos ensina o professor Olavo, é um modo de se endereçar a problemas reais. Não se aprende filosofia para viver no mundo abstrato ou em idealismos que não se conformam à realidade. O conhecimento filosófico — a capacidade de raciocinar corretamente e refletir — dá ao indivíduo a possibilidade de estar devidamente instalado na realidade.
Para alcançar esse estado, o conhecimento erudito, a mera memorização de dados não bastam. É preciso que haja harmonia entre conhecimento e consciência.
Imagine um cristão que sabe de cor os Dez Mandamentos, mas não os vive de modo ordenado, não percebe o drama que é conhecer e não viver. Este desconhece, em sua experiência pessoal, a tensão de fazer o homem velho tornar-se homem novo.
No estudo da filosofia também existe a possibilidade desse drama: quando a erudição e o conhecimento se tornam ornamentos, troféus na estante, mas não se tornam sabedoria; não se incorporam à personalidade do indivíduo. Deste modo, ele não consegue tomar decisões acertadas, não faz uma leitura correta da realidade e pode deixar-se sucumbir pela pressão dos pares, pelo falatório do dia a dia.
O indivíduo percebe vestígios da verdade, mas não permite que ela se aproxime. Pressente o seu sabor, mas não se dispõe a experimentá-la por inteiro. Eis uma das grandes desgraças do homem: acumular conhecimento sem alcançar a sabedoria; tornar-se erudito, mas não sábio.
Entre algumas observações feitas pelo professor Olavo, uma das que não me esqueço é a de que ele media o grau de aprendizado de seus alunos pelas decisões concretas que tomavam em suas próprias vidas.
A filosofia tem por finalidade tornar o homem um amigo da sabedoria. Tal amizade o leva a bem viver, a tomar decisões acertadas, fazendo uma leitura correta da realidade, e reagir de modo adequado às circunstâncias, às ocorrências do dia a dia.
Buscar a sabedoria não é viver apenas segundo a razão, mas se esforçar para desenvolver a razão de tal modo que ela permita ao homem instalar-se em um ponto a partir do qual seja possível orientar-se adequadamente, reconhecer a verdade e não se deixar seduzir pelo falatório do meio em que está.
Mas como reconhecer a verdade sendo um homem de mentira?
Antes de instalar-se na realidade e reconhecer a verdade no mundo, é preciso reconhecer a si mesmo, perceber o que há de verdadeiro, o que há de falsidade e simulação em si.
A leitura correta do mundo exterior exige, antes, uma unidade interior.
A Filosofia nos conduz ao bem, à virtude, nas palavras de São Clemente: “É o pedagogo que nos conduz a Cristo”.
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