No livro O mínimo sobre ansiedade, Araceli Alcântara define a ansiedade como uma inquietação interior, e complementa dizendo que em nosso cotidiano ela nasce de um temor associado ao medo de sofrer. Ao se imaginar em uma situação de sofrimento, a pessoa se atemoriza, fica ansiosa, paralisada nas tarefas do dia a dia.
No decorrer do capítulo ela traz também uma definição dada pelo médico e psiquiatra Francisco Insa, que em seu livro A Formação da Afetividade diz o seguinte: “a ansiedade é essencialmente uma reação normal, que tem sua própria função: indicar que há uma ameaça e que convém ficar alerta para enfrentá-la”. Ou seja, ela faz parte do nosso mecanismo de sobrevivência, possibilita que preparemos defesas para uma eventual situação de perigo.
Um pouco mais adiante ela diz: “a ansiedade pode surgir associada à insegurança, ao medo de não se conquistar um bem ou o sucesso desejado, e, por isso, pode vir também junto com a preocupação, com receio de sofrer”.
Podemos perceber que embora a ansiedade seja vista se não sempre, na maior parte das vezes de modo negativo, há nela um aspecto positivo e indispensável. Ela é um mecanismo de defesa que visa nos livrar das roubadas do dia a dia. É necessário frisar que existe uma ansiedade sadia que se mostra nas preocupações sinceras que nos afligem diariamente, preocupações que quando bem ordenadas fazem com que recuemos diante da situação concreta, a analisemos e busquemos agir da melhor maneira possível em cada situação específica. Percebemos um risco, o avaliamos, refletimos qual o melhor modo de agir, buscamos os meios de agir e agimos.
Note que aqui o risco é percebido, analisado e uma ação é tomada de modo adequado, o que é diferente de perceber um risco que muitas vezes é imaginário, não saber como lidar com a situação, se amedrontar por não ter o controle da mesma e ficar paralisado. Aqui ansiedade é um mal, pois percebemos o risco, mas não sabemos como reagir de modo adequado e por isso ficamos empacados, não saímos do lugar e consequentemente sofremos.
Note que a causa desse sofrimento muitas vezes é fruto da incapacidade em saber lidar com uma situação adversa, surge da incapacidade de saber reagir às incertezas da vida, é uma dificuldade oriunda também muitas vezes da nossa incapacidade em saber responder às exigências das situações práticas do dia a dia. É fruto da dificuldade em fazer uma escolha, em resolver um problema, em tornar virtude um vício, em saber lidar com as pancadas que a vida nos dá, é uma dificuldade em ser gente, em saber se relacionar com o que faz parte da estrutura de nossa vida, que espera de nós uma resposta adequada e faz com que nós ao respondermos adequadamente nos tornemos pessoas mais fortes e melhores.
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